Ser professor é uma benção. Além de possuir preparo técnico - teórico e se possível também prático - deve-se ter o gosto do convívio humano.
A Universidade forma um rico caldo cultural. Há um ingrediente, no entanto, sem o qual desimporta qualquer saber: o amor. Dar aulas sem sentimento, privilegiando a relação analítico-instrumental em detrimento das enriquecedoras instabilidades do afeto, é fugir dos riscos da paixão e acovardar-se frente ao maravilhoso espetáculo da vida. É vã tentativa de dominar seres humanos pelo conhecimento frio e inanimado, fonte de indizíveis frustrações, porque não conduz a nenhum lugar, já que o centro de toda a Jornada são as pessoas, em sua completude, nelas considerados, para além do intelecto, os nervos, os músculos, o sangue.
Não tenho todo o conhecimento que gostaria. Mas posso afirmar ter enorme vinculação emotiva com os meus alunos. Isso faz com que nossos encontros sejam prazerosos e muito profícuos. Sempre aprendo muito mais com eles do que eles comigo.
Noite dessas recebi homenagem de uma turma. Um jantar depois da aula. Entregaram-me uma placa e um cartão. Disseram lindas palavras, imerecidas. Queriam que eu chorasse e conseguiram.